Consumo moderado de maconha também causa danos no cérebro


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Estudo brasileiro mostra que memória e capacidade de raciocínio são prejudicadas até duas semanas após o uso da droga

Lembrar-se de informações simples do dia a dia e realizar atividades que demandem planejamento e gerenciamento nem sempre é fácil. Para usuários de maconha esse processo pode ser ainda mais complexo. A conclusão é da tese de doutorado da neuropsicóloga Maria Alice Fontes, do Laboratório de Neurociências Clínicas da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A pesquisadora avaliou usuários crônicos de maconha com idade entre 18 e 55 anos. Ela separou os voluntários de acordo com o tempo de uso da droga: início precoce (antes dos 15 anos), início tardio, abstinentes há mais de sete dias e não usuários.

O estudo aponta os prejuízos gerados pela substância nas chamadas “funções executivas” do cérebro – que nos possibilitam processar e organizar novas informações recebidas diariamente e necessitam da memória operacional, da atenção sustentada, da inibição dos impulsos, da fluência verbal e do pensamento abstrato. Precisamos dessas habilidades, por exemplo, para calcular e resolver equações. Os danos causados pela maconha podem ser ainda mais graves se o uso começar antes dos 15 anos, de forma crônica, pois pode causar efeito tóxico e cumulativo da substância no cérebro ainda em desenvolvimento. Maria Alice verificou que a utilização considerada leve (cerca de dois cigarros por dia), porém crônica, provoca déficits no armazenamento de informações e dificuldade de evocação da memória, mesmo após um tempo médio de 14 dias de abstinência.

”É fundamental a avaliação neuropsicológica para prevenir danos e favorecer a aderência do tratamento dos dependentes químicos”, afirma a pesquisadora. Ela ressalta ainda que as perdas cognitivas também fazem com que o paciente tenha mais recaídas e desista do tratamento.

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